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            <titulo>Mas o que é Responsabilidade Social?</titulo>
            <data>2009-01-22</data>
            <hora>None</hora>
            <descricao>A responsabilidade social se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exercendo impactos nos objetivos, estratégias e no próprio significado da empresa. Procuro trazer alguma contribuição no sentido de uma melhor a compreensão da importância desta estratégia e dos benefícios que a mesma pode trazer para a corporação, quando aplicada corretamente.
Algumas empresas confundem Responsabilidade Social com Filantropia. Mas o que é Responsabilidade Social? O termo "responsabilidade social" encerra sempre a idéia de prestação de contas: alguém deve justificar a própria atuação perante outrem. Durante muito tempo, este foi entendido, em uma visão tradicional, como sendo a obrigação do administrador de prestar contas dos bens recebidos por ele. Ou seja, economicamente, a empresa é vista como uma entidade instituída pelos investidores e acionistas, com objetivo único de gerar lucros. Entretanto, tal perspectiva não se aplica no mundo contemporâneo.
Já se sabe que a empresa não se resume exclusivamente no capital, e que sem os recursos naturais (matéria-prima) e as pessoas (conhecimento e mão-de-obra), ela não gera riquezas, não satisfaz às necessidades humanas, não proporciona o progresso e não melhora a qualidade de vida. Por isso, afirma-se que a empresa está inserida em um ambiente social. Para Oded Grajew presidente do Instituto Ethos, uma das principais instituições responsáveis pela difusão do conceito de responsabilidade social na sociedade brasileira, define este conceito como: "(...) a atitude ética da empresa em todas as suas atividades. Diz respeito às interações da empresa com funcionários, fornecedores, clientes, acionistas, governo, concorrentes, meio ambiente e comunidade. Os preceitos da responsabilidade social podem balizar, inclusive, todas as atividades políticas empresariais".(GRAJEW, Instituto Ethos, 2001).
Atualmente, a intervenção dos diversos atores sociais exige das organizações uma nova postura, calcada em valores éticos que promovam o desenvolvimento sustentado da sociedade como um todo. A questão da responsabilidade social vai, portanto, além da postura legal da empresa, da prática filantrópica ou do apoio à comunidade. Significa mudança de atitude, numa perspectiva de gestão empresarial com foco na qualidade das relações e na geração de valor para todos. É importante ressaltar que a responsabilidade social é, ainda, um processo em crescimento em vários países do mundo e, principalmente, no Brasil.
A questão da participação das empresas privadas na solução de necessidades públicas está nas pautas das discussões atuais. Embora alguns defendam que a responsabilidade das empresas privadas na área pública limita-se ao pagamento de impostos e ao cumprimento das leis, crescem os argumentos de que seu papel não pode ficar restrito a isso, até por uma questão de sobrevivência das próprias empresas. Outro argumento é o fato de que adotar posturas éticas e compromissos sociais com a comunidade pode ser um diferencial competitivo e um indicador de rentabilidade e sustentabilidade no longo prazo.
Fonte: Habitat Brasil</descricao>
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            <titulo>Filantropia emergente: o que isso quer dizer?</titulo>
            <data>2010-03-03</data>
            <hora>10:31:47</hora>
            <descricao>A bolsa Gucci da nova filantropia

* Olga Alexeeva
 
** Revista Alliance


Uma noite, fui a uma festa organizada por uma família rica de um país da América do Sul dedicada à filantropia. Os convidados, também de famílias ultra-ricas, reuniram-se para discutir as suas doações, compartilhar experiências e possivelmente fazer alianças. Eu fui convidada como especialista externa com conhecimento das tendências da filantropia em outros lugares.
Enquanto ouvia os outros convidados conversando, comecei a perceber que, se a doação for vista apenas como mais um acessório de um estilo de vida milionário, em vez de um ato que implica em uma cosmovisão totalmente moral, tal doação, antiga ou nova, não trará grandes mudanças para o mundo. Talvez seja a hora de abraçarmos a idéia da "responsabilidade social privada".
Eu ouvi uma senhora impecavelmente vestida dividir com uma amiga a sua frustração com o fato de os camponeses do norte do país não quererem deixar suas terras apesar das "ofertas" generosas da empresa de sua propriedade. A amiga se solidarizou com ela e respondeu com uma história semelhante de trabalhadores pobres exigindo esse ou aquele direito ...
Meu copo de vinho ficou esquecido, tão chocada eu estava com o aparente desprezo e descaso das duas senhoras pelas pessoas abaixo delas na escala social. Ter crescido na União Soviética, apesar de todas as suas falhas, criou em mim um forte senso de que todas as pessoas são iguais, a despeito da sua riqueza ou da falta dela. Mais ainda, fiquei chocada com o contraste entre os reais sentimentos dessas senhoras e suas aspirações filantrópicas.
Desenvolvimento das doações nas economias BRIC
A filantropia organizada, por muitos anos associada principalmente ao mundo ocidental, é hoje um fenômeno crescente no Leste e no Sul. A doação individual na Rússia mais do que triplicou apenas em 2008, apesar da crise econômica. Na China, onde, há menos de cinco anos, menos de 3 por cento da população doava para caridade, em 2009, após o grande impulso gerado pelo terremoto em Sichuan, mais de 84 por cento dos chineses consideram a doação uma parte importante de suas vidas. No Brasil, as primeiras fundações privadas criadas por doações surgiram nos últimos dez anos, e a Índia também testemunhou um surto de doações não-religiosas, especialmente entre as novas classes médias.
Eu só posso saudar esses desenvolvimentos. Durante muitos anos, tenho defendido constantemente a doação no Leste e no Sul, e venho insistindo com o setor filantrópico do Ocidente que olhe para esses importantes novos parceiros que podem ter no Leste e no Sul. Mas, embora aplauda as suas doações, a conversa naquela festa na América do Sul continua voltando a mim. Eu ainda não consigo me livrar da sensação da profunda contradição entre o desprezo e a negligência de suas atitudes no dia-a-dia para com os pobres e a caridade paternalista que caracteriza a sua filantropia. Conversas com diversas pessoas na Ásia e na África confirmaram que essas são atitudes comuns. Isso demonstra claramente a necessidade de tratar da questão da responsabilidade social privada em oposição à responsabilidade social corporativa.
Em direção à ética filantrópica
A ética filantrópica, juntamente com toda a questão da filantropia, foi, por muitos anos, uma área dominada pelos doadores dos EUA e do Reino Unido. Mesmo nos EUA, amplamente reconhecidos como a nave-mãe no espaço de desenvolvimento da filantropia, a ética da doação só recentemente começou a ser discutida amplamente e, tenho certeza, de que a mesma discrepância entre os estilos de vida e as práticas filantrópicas ainda existe entre os doadores desses lugares. Entretanto, em relação aos "novos" doadores do Leste e do Sul, a ética filantrópica nunca foi adequadamente discutida.
É uma noção comum, especialmente nos ambientes filantrópicos menos sofisticados, a de que o termo "ética filantrópica" se aplica somente às questões técnicas das doações, como as regras de estabelecimento de fundos ou as áreas para investimento das doações (evitar o tabaco, por exemplo, etc.). Eu argumentaria que este termo deve ser compreendido de forma mais ampla e que deve englobar os filantropos privados, especialmente os ricos, e sua relação com os seus empregados, incluindo os empregados domésticos, as empresas de que são donos (e aquelas em que têm influência) e, até mesmo, as suas conversas.
Da mesma forma que, no mundo corporativo, o termo responsabilidade social agora se aplica a toda a gama de atividades da empresa, e não apenas a seus orçamentos de suporte à comunidade, deveríamos começar a exigir dos que estão ativa e publicamente envolvidos com doações ou investimentos sociais privados, a observância de certos padrões morais e éticos. Deveríamos insistir que estendam os princípios e objetivos que aplicam à doação - redução da pobreza e da exclusão social, proteção ambiental, acesso à educação e assistência médica - às pessoas que empregam e com quem interagem no dia-a-dia. As missões e as idéias filantrópicas devem ter raízes em valores reconhecidos e informar esses valores, mas também serem informadas por eles.
Doadores que praticam o que pregam
Infelizmente, especialmente entre os doadores do Leste e do Sul, é prática normal tratar mal os serviçais e despejar agricultores de sua terra com compensações risíveis de manhã, e, à tarde, assinar cheques para instituições de caridade de ajuda aos pobres. É absolutamente inaceitável construir uma usina química no delta de um rio vital para a vida e, no dia seguinte, fazer um discurso inspirador sobre o aquecimento global em uma conferência internacional.
Uma passagem da bíblia aconselha a não deixar que a mão direita saiba o que a esquerda está fazendo. Essa frase, pelo menos na tradição do Cristianismo Ortodoxo Oriental, é frequentemente usada para apoiar e estimular a filantropia silenciosa, a generosa doação anônima. Mas ela tem um viés diferente em muitas partes do mundo, onde doadores exploram os pobres e destroem o meio ambiente com a mão direita, enquanto suas generosas mãos esquerdas criam fundações e envolvem-se em investimentos filantrópicos.
Uma tradição de doação orgânica
Outra questão estreitamente vinculada à ética da doação é o poder da tradição. A filantropia não é um fenômeno ocidental, como Barbara Ibrahim corretamente aponta em sua coluna neste número, é uma tradição ancestral em muitas partes da Ásia e do Oriente Médio. Mas se nos perguntarmos se a filantropia mudou desde então, a resposta, em muitos casos, será "não".
A tradição filantrópica, preservada e nutrida, é um estímulo importante para as pessoas doarem. É um padrão de comparação para o desempenho dos novos filantropos. Mas, e se a tradição filantrópica permanece imutável há séculos e apenas mantém o status quo, e se a tradição simplesmente for uma justificativa para não se mudar nada e não colocar em cheque as práticas e abordagens atuais? Nesse caso, acho que tais tradições precisam ser revisitadas. Como tudo mais, a tradição deve evoluir com o tempo e refletir as mudanças na vida econômica, política e social dos países. Da mesma forma que a quantidade das doações não é medida da sua quantidade, a longevidade da tradição filantrópica não prova que ela produziu uma mudança duradoura nessas sociedades.
Perguntas sobre como preservar o capital cultural de longo prazo das sociedades não-ocidentais e, ao mesmo tempo, alcançar igualdade e justiça social, e diminuir a exclusão social, vão muito além da filantropia. Mas a filantropia é, e cada vez mais se torna, um instrumento poderoso para se encontrar soluções para esse complexo desafio. A filantropia, por definição está livre dos jogos e os temores políticos, e pode, e deve, experimentar e buscar esse equilíbrio entre tradição e modernidade. Ela deve nutrir modelos e idéias que respeitem o passado, mas que garantam um futuro igualitário e justo para todos. Por muitos anos, essas questões perseguem os doadores que trabalham no Leste e no Sul. Mas hoje, à medida que os recursos financeiros e a influência dos filantropos ocidentais diminuem, essas perguntas devem ser feitas aos doadores na Índia e na China, no Brasil e no Golfo.
Filantropia "da moda"
Finalmente, as perguntas relativas à ética e à direção do desenvolvimento filantrópico no Leste e no Sul também são questões vitais para as organizações de desenvolvimento da filantropia e as principais organizações de fundraising que trabalham com novos doadores nessas áreas. Muito freqüentemente, as organizações de suporte a doadores e as organizações de fundraising se contentam com o fato de que tal família rica começou a fazer doações. Elas não fazem a si mesmas as difíceis perguntas sobre a qualidade e a ética dessas doações.
Admito que eu mesma sou culpada disso. Durante muitos anos, ficava feliz por conseguir fazer com que ricos russos abrissem suas bolsas. A eficácia dessas doações e o que elas faziam pela sociedade russa me parecia muito menos importante. Como resultado, agora temos de lutar com duas tendências na filantropia que cresce exponencialmente na Rússia: a cultura dos "quereres", quando os doadores financiam algo que os atrai sem pensar se existe uma real necessidade ou sobre o que os beneficiários pensam do assunto, e a cultura da "ajuda direta", quando massas de doadores de classe média na Rússia rejeitam o setor sem fins lucrativos e preferem doar diretamente para as pessoas necessitadas.
Em vários outros países, a tendência das organizações de suporte a doadores de seguir seus clientes em lugar de liderá-los resultou no que eu chamo de filantropia "da moda", quando palavras novas, como investimento social, ou novos modelos, como filantropia de risco, são adotados, mas nem os doadores nem as organizações de suporte na realidade se perguntam:isso está funcionando? Precisamos deste ou daquele belo modelo de doação, ou o copiamos apenas porque está na moda, uma nova bolsa Gucci filantrópica?
Qualquer que seja o nome que dermos à filantropia no Brasil ou na Índia, Rússia ou China, Oriente Médio ou África – investimento social, doação criativa, filantropo-capitalismo – essas são apenas palavras se não há mudanças de atitude, respeito e reconhecimento pelas pessoas, debate sobre a responsabilidade social privada e a ética filantrópica. Podemos deitar e relaxar ao sol das crescentes doações, mas este sol acabará por ir se apagando se não criarmos uma cultura onde os doadores comecem a pensar não apenas em como eles querem doar, mas também no que é realmente necessário e no que os beneficiários de sua generosidade pensam dela.
Se quisermos garantir que, nos próximos anos, a filantropia em todos os cantos do mundo realmente faça avançar a justiça social, acho que é hora de começar a explorar a noção de responsabilidade social privada.
 
Editora convidada deste artigo especial da Alliance:
Olga Alexeeva dirige o CAF Global Trustees, responsável por promover fundações privadas e familiares, e serviços do CAF para pessoas ricas em todo o mundo. Antes disso, ela trabalhou durante 12 anos no CAF Rússia (1993-2005), como diretora nos últimos sete anos.
Email: oalexeeva@cafonline.org
 

Comentário de Jacqueline Delia-Brémond

Fiquei um pouco nervosa com o pedido para comentar o artigo de Olga Alexeeva, pois não gostaria que as minhas respostas dessem a impressão de que nós, do Ocidente, estamos tentando ensinar os novos filantropos do Leste e do Sul a doar seu dinheiro.
Entretanto, poderíamos dizer que talvez haja dois estágios de filantropia, como o que acontece, por exemplo, com os colecionadores de obras de arte.Primeiramente, você tem de decidir que deseja gastar o seu dinheiro dessa maneira e, em segundo lugar, precisa se educar para poder julgar o valor daquilo em que está gastando. É por isso que não concordo totalmente com Olga Alexeeva quando ela diz que se culpa por ter levado os novos ricos da Rússia simplesmente a doar seu dinheiro. Esse foi apenas o primeiro passo e tinha de ser feito.
O segundo passo deveria ser aprender a gastar o dinheiro.É como as famosas cinco perguntas que os jornalistas aprendem que precisam fazer para ajudá-los a escrever um bom artigo de jornal: quem?, o quê?, quando?, onde?, por quê? e como?.
Neste ponto, é necessária alguma reflexão para garantir que as ações da pessoa como doadora não estejam em contradição com seu próprio comportamento como indivíduo ou como dirigente de uma empresa.Se os dois aspectos não estiverem em harmonia, tanto a imagem quanto a mensagem ficam confusas. Por exemplo, a nossa fundação, a Fondation Ensemble, é privada, mas a empresa de meu marido, a Pierre & Vacances, que trabalha na área de turismo, é totalmente alinhada com uma atitude sustentável em seus vários setores de atividades (construção, uso de água, educação ambiental em clubes infantis, etc.) e no próprio funcionamento da empresa. Para nós, sendo financiadores, não poderia ser de outra forma. Seria incoerente com a nossa ação dentro da nossa fundação. Isso é parte do segundo passo.
Poderíamos ir mais além e sugerir que esses novos filantropos, que vivem em países onde as necessidades são, muitas vezes, imensas, estudassem as reais necessidades de seus países e tentassem atuar em um setor onde a sua ação é realmente necessária.
Um passo além seria os filantropos que vivem em países onde as ações de seus próprios governos e empresas estão tendo um efeito devastador em alguns países emergentes tentarem apoiar projetos que contrabalançassem essas ações negativas.
Na verdade, poderíamos dizer que a filantropia deveria ser baseada mais na reflexão do que na emoção, mesmo que os filantropos, como os colecionadores de obras de arte, sejam livres para atuar nas áreas que acham mais interessantes ou mais gratificantes.
De qualquer modo, acredito que as qualidades aplicadas à ação filantrópica e ao comportamento pessoal devam ser as mesmas que as usadas em um empresa de sucesso:rigor e correção.
 
Jacqueline Delia-Brémondé fundadora e vice-presidente do Conselho de Curadores da Fondation Ensemble.
Email: dbremond@fondationensemble.org



FONTE: http://site.gife.org.br/artigo-filantropia-emergente-o-que-isso-quer-dizer-13609.asp
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            <titulo>Panarama da Avaliação de Projetos Sociais</titulo>
            <data>2010-03-29</data>
            <hora>15:00:20</hora>
            <descricao>Panarama da Avaliação de Projetos Sociais de ONGs no Brasil

Este documento foi elaborado para as organizações que colaboraram com a pesquisa realizada pelo Instituto Fonte, pela Fundação Itaú Social, pelo Instituto Paulo Montenegro e Ibope Inteligência a fim de conhecer o estado da arte da avaliação de programas e projetos sociais no Brasil.
A colaboração de 363 organizações da sociedade civil brasileira foi de fundamental importância para viabilizar o estudo de maneira eficaz, rigorosa e com precisão de resultados.
Este material é uma síntese dos principais dados da pesquisa. Ele pode ser encontrado,na íntegra, nos portais do Instituto Fonte, Fundação Itaú Social, Instituto Paulo Montenegro ou Ibope Inteligência.

363 organizações da sociedade civil brasileira viabilizaram esta pesquisa.

Objetivos da pesquisa

Mapear quanto e como as ONG’s brasileiras realizam avaliação de seus projetos e programas sociais.
Conhecer motivações, desafios e tendências da avaliação de projetos e programas sociais no Brasil.

Breve caracterização da amostra

A pesquisa teve abrangência nacional, sendo representativa do universo das organizações da sociedade civil brasileira. Foram realizadas 363 entrevistas eletrônicas no período de julho a setembro de 2009. Os resultados ponderados mostram a seguinte representação geográfica: 53% da região Sudeste; 21% da região Sul; 14% do Nordeste; 8% do Centro-Oeste e 4% da região Norte.
Com relação ao tipo de atuação, verifica-se que 58% das organizações atuam somente com a execução de projetos, 40% com execução e financiamento e 2% somente com financiamento.

Síntese dos principais resultados

• A avaliação de projetos sociais é considerada um aspecto de alta importância (média de 9,4) pelas organizações.
• De maneira geral, a avaliação é entendida como um processo que apoia a gestão, a tomada de decisão, ajuda a corrigir rumos, identificar erros e acertos, verifica a realização de objetivos, identifica os resultados no público do projeto, gera credibilidade ao projeto e é um processo difícil.
• A importância da avaliação está consolidada. A necessidade de advogar pela relevância da avaliação de projetos sociais entre as ONGs que atuam no Brasil é pequena ou inexistente.

• Observam-se quatro diferentes posturas das ONGs brasileiras em relação à avaliação:
(a) avaliação como ferramenta estratégica: 26%; (b) avaliação como ferramenta de promoção dos projetos: 33%; (c) avaliação como obrigação formal e burocrática: 18%; e (d) avaliação como desperdício de tempo e de recursos: 23%.
• Nota-se uma expressiva parcela da amostra (41%) atribuindo à avaliação características formais ou de desperdício de tempo. Atuar para fortalecer o sentido e a utilidade da avaliação com essas organizações é importante para ampliar a potência dessa atividade na gestão estratégica do campo social.

O avaliador é percebido pelas organizações como profissional que apresenta diversas competências, sejam elas técnicas, de gestão ou de atuação como facilitador da aprendizagem. Quarenta e três por cento das organizações entendem que o avaliador deve ter foco no processo da avaliação (envolver pessoas na discussão da avaliação, gerar espaços de reflexão e aprendizagem, entre outros). Cinquenta e sete por cento consideram que o avaliador deve ter foco nos resultados (ter profundo conhecimento sobre o tema do projeto, emitir julgamentos sobre o projeto, entre outros). Entretanto, ambos os perfis de avaliadores devem ter conhecimentos técnico-metodológicos de pesquisa/avaliação.
• Noventa e um por cento das organizações pesquisadas afirmaram ter realizado pelo menos uma avaliação de programa ou projeto nos últimos cinco anos.
• Observa-se que estas avaliações são, em geral, conduzidas por equipes internas (85% utilizaram equipes internas e 22%, avaliadores externos). Como a soma dos dados ultrapassa 100%, entende-se que em alguns casos houve trabalho de equipes mistas (interna e externa).
• Entre as organizações envolvidas na pesquisa, 55% afirmam já ter participado de formações em avaliação.
• É expressiva a quantidade de organizações que afirmou ter realizado avaliações de projetos nos últimos cinco anos, com predominância de equipes internas. A necessidade de criar espaços de qualificação e formação para estes grupos de profissionais é vital para a qualificação das avaliações realizadas internamente. Observa-se que 55% das organizações já participaram de formação no tema, sem que haja, entretanto, dados mais detalhados sobre as características destas formações.
• Cinquenta e oito por cento dos entrevistados afirmam ter conhecimento de avaliações realizadas por outras organizações. Esta é claramente uma ótima forma de se aprender sobre o tema, por meio de estudos de caso.
• A coleta de dados sobre o público do projeto tem sido realizada em geral antes, durante e depois do projeto. O uso de grupos de comparação está restrito à pequena
parcela da amostra (cerca de 10%).
• A duração das avaliações é um dado de difícil estimativa. A média apresentada pelas organizações pesquisadas é de dez meses. Este valor, entretanto, é dependente de um expressivo número de variáveis (tipo de avaliação, equipe responsável, recursos financeiros disponíveis, necessidade dos interessados, abordagem utilizada, dispersão geográfica do projeto, entre outros).

• A origem da demanda pela avaliação é, em 54% dos casos, da própria organização, numa dispersão caracterizada pela predominância de organizações tipificadas como financiadoras e executoras de projetos.
• Os recursos utilizados na avaliação são, em 43% dos casos, da própria organização, também tipificada como financiadora e executora de projetos. Em 34% dos casos – situação com predominância de organizações executoras de projetos –, os recursos para a atividade estavam já previstos no orçamento do projeto.
• As principais utilidades das avaliações realizadas foram: apoiar mudanças no projeto, colaborar com o estabelecimento de objetivos e metas para o projeto, desenvolver novos projetos, orientar decisões da equipe, apoiar o planejamento estratégico do projeto ou da organização, tomar decisões financeiras e reportar aos financiadores, entre outras.
• Em 93% dos casos, os resultados da avaliação foram comunicados. Essa forte comunicação aponta para uma tendência à democratização das informações geradas com esse processo. Um claro desafio é tornar a comunicação da avaliação de fato compreensível para os diferentes públicos com os quais se relaciona (como investidores e líderes comunitários, por exemplo), a fim de guiá-los na tomada de decisão.
• As principais dificuldades encontradas nas avaliações realizadas foram: construir indicadores (48%), envolver os públicos do projeto na avaliação (40%), desenvolver instrumentos (36%), coletar informações (33%), analisar os resultados (31%), captar recursos para a avaliação (27%), encontrar profissional qualificado (24%), tomar decisões orientando-se pela avaliação (23%), comunicar os resultados (13%).
• Com relação à competição da avaliação com outras atividades da organização, em uma escala de 1 a 5 (sendo 5 o maior grau de competição), a média foi de 2,48.

Desafios e tendências para o desenvolvimento da avaliação de programas e projetos sociais no Brasil 

Desafios:
• construção de indicadores para programas e projetos;
• desenvolvimento de modelos e práticas de avaliação participativa;
• fortalecimento do sentido e utilidade da avaliação para organizações que as realizam;
• formação de ONGs em avaliação;
• formação de profissionais para atuar como avaliadores;
• financiamento de avaliações

Tendências:
• interesse por modelos participativos;
• desenvolvimento de novas abordagens para a avaliação;
• crescimento na demanda por avaliações no Brasil;
• possibilidade de fortalecimento financeiro e técnico da área;
• motivação para atuar com avaliações orientadas para a aprendizagem;
• estímulo à atuação de avaliadores – facilitadores;
• espaço crescente para a atuação de avaliadores externos;
• aprofundamento do debate técnico ao redor da avaliação;
• espaço para a produção de pesquisas em avaliação.

Saiba mais para aprofundar o seu conhecimento em avaliação, acesse:
• Portal do Instituto Fonte, que oferece um bom acervo de artigos sobre o tema e oportunidades na área: www.fonte.org.br
• Portal da Fundação Itaú Social, que disponibiliza informações sobre cursos e seminários em Avaliação Econômica de Projetos Sociais: www.fundacaoitausocial.org.br
• Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação, que traz informações sobre cursos e oportunidades na área: http://redebrasileirademea.ning.com/
• Red Latino Americana de Evaluación, que apresenta notícias sobre Avaliação na América Latina e outros países: http://web.grimorum.com/relac/
• American Evaluation Association, com um rico acervo sobre diversos assuntos em avaliação: www.eval.org
** Acesse:  http://issuu.com/fundacaobetostudart/docs/panarama_da_avaliacao   e veja esse arquivo completo em PDF.

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        <noticia>
            <titulo>Responsabilidade Social Corporativa: o que eu faço com essa ideia?</titulo>
            <data>2011-09-26</data>
            <hora>10:56:29</hora>
            <descricao>O atual contexto em que vivemos tem sido marcado por uma crescente exclusão social, pelo uso insustentável e predatório de recursos naturais e pela forte acumulação de renda. No entanto, já há uma ampla percepção de que o atual modelo econômico não é a melhor estrutura para basearmos as relações humanas e as relações com o ambiente. Hoje, fala-se em conceitos inovadores, como o da Felicidade Interna Bruta (FIB), empreendedores sociais têm sido reconhecidos como importantes geradores de valor para a sociedade, surgem negócios com finalidade lucrativa aliada à redução de pobreza e inclusão da população de baixa renda e há incipientes iniciativas de “paga-se quanto puder”.

?Assim como os indivíduos têm enxergado cada vez com mais entendimento a importância de se comprometer com atitudes que sejam boas para si e para os outros, as empresas também têm assumido um papel significativo de compromisso com a sociedade e com o meio ambiente. 

O conceito de cidadania – bastante fortalecido após um período de governos autoritários em diversos países em desenvolvimento, que têm base na ideia de direitos e deveres – transpôs a dimensão do indivíduo e também alcançou as empresas. 

A compreensão de que a empresa é um ‘personagem do espaço comum’ e, por isso, deve comprometer-se com o desenvolvimento social é ampliada com a ideia de sustentabilidade do negócio, porque a atenção com a sociedade implica sua sobrevivência, tanto no que se refere aos insumos de sua produção (relativo à questão ambiental) quanto ao mercado consumidor (relativo às questões sociais). 

Evidentemente, as empresas, enquanto organizações de finalidade privada, devem gerar lucro, e não há nada de errado com isso. Pelo contrário, o resultado positivo da empresa é importante para empreendedores, acionistas, empregados, fornecedores e todos aqueles que estão no entorno dessa cadeia. A discussão pode se focar em que tipo de lucro e a que custo. 

Essa ideia está dentro do contexto de desenvolvimento sustentável, que representa equilíbrio entre os pilares de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Há muitas discussões sobre o posicionamento das empresas, questionando se de fato seu compromisso com a sociedade e o meio ambiente é apenas um recurso retórico para se tornarem mais humanas e conquistarem legitimidade. E esta é uma questão importante, porque deve haver coerência entre o discurso e a prática, por uma questão de ética e respeito com a sociedade e porque, do ponto de vista prático, falar o que não se pratica pode trazer um enorme prejuízo de imagem, de confiança e de resultados. ?

O fato de os consumidores estarem mais informados e mais críticos faz com que sejam mais participativos e assumam o papel de cobrar por comportamentos éticos e responsáveis das empresas. Isso tem mudado o perfil de consumo e pressionado uma mudança de prática nos negócios, especialmente após a recente crise econômica mundial.

?Assim, a responsabilidade social empresarial é uma forma de assumir compromissos com o coletivo e gerar benefícios não só para os donos da empresa, mas para toda a sociedade. Este conceito vem evoluindo. Já se definiu por doações e filantropia, já se discutiu a ideia de reverter lucros para a comunidade, e mesmo de diminuir impactos ao ambiente. Essas discussões colocavam a empresa num papel muito restrito e não eram capazes de dimensionar adequadamente todos os seus  relacionamentos.?

No Brasil, muitas organizações têm se dedicado a esse tema, mas uma das mais notórias delas, o Instituto Ethos, tem fomentado a discussão sobre o conceito e a adequação de práticas a cada tipo e tamanho de negócio. Uma definição muito clara sobre o que é responsabilidade social corporativa é dada pelo Ethos: ?“Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética, transparente e solidária da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona – acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, clientes, comunidade, governo, sociedade e meio ambiente – e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, de forma a preservar recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitar a diversidade e promover a redução das desigualdades sociais”.

?Essa definição amplia o entendimento do papel da empresa e considera uma quantidade maior de relacionamentos fundamentais que ela estabelece. Assim, a política de responsabilidade social (ou socioambiental) de uma empresa começa a ser construída a partir da definição de seus valores e de sua forma de governança. Discute sua postura e suas práticas com colaboradores (empregados ou prestadores de serviço), fornecedores, clientes, com a comunidade do entorno e com o meio ambiente, e também se coloca diante da relação com o poder público e a sociedade de forma ampla. 

Assim, falamos de práticas éticas, de uma atitude estratégica, de geração de valor para a sociedade e da capacidade de tornar-se agente de uma nova cultura, em que as empresas não restringem sua preocupação apenas ao seu próprio crescimento financeiro. E isso exige um repensar de todo o negócio.

?O ideal é que a responsabilidade social corporativa deixe de ser um programa e passe a formar um conjunto de valores que ilumine todas as suas práticas. E que a empresa se avalie e demonstre com clareza os resultados e os impactos de sua postura.

?Há muitos benefícios para a empresa e para a sociedade. A responsabilidade social corporativa contribui, por exemplo, para a preservação e uso correto de recursos naturais, para a redução da desigualdade e para a promoção da diversidade. E o negócio se beneficia com a valorização da imagem institucional, com o reconhecimento e fidelidade do cliente, com o aumento da motivação da equipe, com a facilidade de atrair e reter talentos e, ainda, com o acesso a diferentes capitais e mercados.

?Mas talvez o maior benefício para o negócio seja a longevidade da empresa e a capacidade de deixar um legado positivo para a sociedade. Qual será a sua escolha? 

FONTE: http://www.revistafilantropia.net.br/_0rf/materias.asp?Id_Pagina=7460
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